MÚSICA
SUL-MATO-GROSSENSE
NA FRANÇA
Jornal O Estado de Mato Grosso do Sul
Campo Grande, 13 de janeiro de 2005.
Por Ayde Carolina
No Ano do Brasil na França, a música sul-mato-grossense
vai estar bem representada, para a alegria dos europeus.
Vinte artistas do Estado foram selecionados para participar
do Midem uma das principais feiras de música
do mundo, que vai acontecer entre os dias 23 e 27 de janeiro,
em Cannes. A presença do Brasil nesta 39ª edição
do Midem, tem um caráter especial: nela será
inaugurada oficialmente a programação musical
do Ano do Brasil na França 200"). Além
disso, uma série de outras atividades marcará
de maneira inédita a representação
brasileira para o impressionante público que comparece
a Cannes. No Midem, os trabalhos dos artistas de Mato Grosso
do Sul serão conhecidos por meio do "Panorama
Musical do Pantanal".
Os artistas participantes são: Almir
Sater, Helena Meirelles, Arara Rara, Maria Cláudia
e Marcos Mendes, Aurélio Miranda, Bêbados Habilidosos,
Carlos Colman, Dino Rocha, Filho dos Livres, Geraldo Roca.
Grupo Acaba, Marcelo Loureiro, Márcio De Camillo.
Bando do Velho Jack, Olho de Gato, Pauio Simões,
Rodrigo Teixeira, Tostão e Guarani e Família
Espíndola. Para o diretor-presidente da Fundação
de Cultura, Pedro Ortale, "será uma grande participação
de Mato Grosso do Sul na feira. A música regional
não podia estar mais bem representada, tenho certeza
de que vamos fazer bonito lá fora", disse ele.
Os músicos foram selecionados pelo
Conselho Estadual de Cultura, conforme a representatividade,
e serão representados por um gestor que irá
para a França nos dias do evento. "O gestor
levará folders de cada artista contendo informações
sobre as trajetórias dos músicos, acompanhadas
de um CD", explicou Ortale. Ao todo, serão encaminhados
500 folders de artistas locais.
A
música sul-mato-grossense estará no estande
Brasil Central, que engloba os Estados de Mato Grosso, Goiás,
Distrito Federal e Tocantins. Cada Estado vai mandar o material
de seus artistas regionais. "Os artistas em si não
irão para a feira. Os seus trabalhos serão
divulgados apenas por meio do material enviado (folders
e CDs)", ressaltou o presidente. Para o músico
Guga Borba, integrante do duo Filho dos Livres, essa será
urna experiência muito válida, principalmente
para quem está começando, como eles. "Nós
somos novos compositores e essa será uma grande oportunidade
de mostrar o nosso trabalho", declarou. Quanto ao fato
de não ir até Cannes, o músico diz
que esse evento será um cartão de visita para,
quem sabe no futuro, eles se apresentarem naquele paíis.
No total, 90 países vão estar presentes no
Midem.
ESPAÇO BRASIL
Mesmo sem ter a programação
fechada, o ministro da Cultura. Gilberto Gil, lançou
na segunda-feira o Espaço Brasil, pavilhão
parisiense de 800 metros quadrados que será um dos
carros-chefes do Ano do Brasil na França, série
de eventos que ocorrerão ao longo de 2005. O Espaço
será aberto em 11 de junho no Carreau du Temple,
construção do século XIX que pertence
à Prefeitura de Paris, mas está sendo reformada
pelo governo brasileiro.
O Ministério da Cultura e o Comissariado
Brasileiro, responsável pela programação
do evento, não informam o custo das obras. Em parceria
acertada com o governo federal, os Estados tentarão
captar recursos junto à iniciativa privada para viabilizar
as centenas de atrações sonhadas para o ano.
Da cerimônia de segunda-feira, realizada no Palácio
Gustavo Capanema. no Rio, participaram vários secretários
estaduais de Cultura e os governadores do Pará, Simão
Jatene, e do Tocantins, Marcelo Miranda.
O
Espaço Brasil terá entrada franca, como forma
de atrair o público de Paris e os turistas que visitam
a cidade no verão europeu. Segundo o Comissariado,
cerca de 400 mil pessoas passarão pelo pavilhão,
no bairro do Marais, até 25 de janeiro. "(O
Espaço Brasil) Será a caixa de ressonância
da cultura brasileira durante o Ano do Brasil na
França. Seu papel estratégico será
revelar a cultura brasileira ao mundo em sua faceta mais
contemporânea, complexa e inovadora", afirmou
Gil.
Embora o lançamento já tenha
acontecido, pouco ainda se fala da programação
do espaço, que deverá estar completa no fim
de janeiro, segundo os organizadores. Já estão
confirmadas, entre outras coisas, uma grande mostra do artista
plástico mineiro Amilcar de Castro (1920-2002) e
uma exposição multimídia de telas de
Cândido Portinari (1903-1962). No pacote de 140 shows
estão previstos Milton Nascimento, Fernanda Abreu,
Mart'nália, Zeca Saleiro e Marcelo D2. E entre os
20 nomes de artes cênicas já estão certos
Antonio Nóbrega, Michel Melamed e as companhias mineiras
Galpão e Giramundo.
Todos esses artistas estão na Mostra
Nacional, a primeira das cinco que ocuparão o Carreau
du Temple. Depois delas virão mostras dedicadas
às regiões Sul, Norte, Sudeste e Nordeste.
"A cidade de São Paulo não estará
no Espaço Brasil porque preferiu fazer uma programação
própria", contou Daiana Castilho Dias, coordenadora
do espaço. Segundo ela, a concepção
da montagem do pavilhão é fugir de estereótipos
nacionais como escolas de samba e futebol. "Querem
mostrar o que é real. Como não podemos reproduzir
no espaço o que é exatamente um desfile de
escola de samba, não vamos fazer uma maquiagem. A
prioridade é mostrar expressões que não
têm um circuito aberto na Europa", explicou.
O objetivo é levar à França,
por exemplo, manifestações que revelem a presença
europeia na Região Sul; jogos, produtos e costumes
dos povos amazônicos; a diversidade expressões
musicais dos grandes centros