Filho dos Livres

Monocromo
(Guilherme Cruz)

Faço acrobacia, faço folia,
eu sou seu guia pra esse mês.
Nosso amor vai servir de peneira,
curar a leseira, acender a caldeira,
fazer batedeira no peito outra vez.
É claro que eu não me engano,
eu tenho um plano,
eu sou humano sem saber errar.
A hora é essa, leia na testa
que a nossa festa vai tudo afogar

E, quando alegria vem,
é porque alguém coloriu um mundo monocromo.
Não tente prever o futuro,
subir o seu muro, fazer um seguro,
que nada faz
Você ter aquela certeza, segura, certeira;
deixe de ser flor em vendaval
Eu vou transformar em moldura
o seu pantanal monocromo

Pela “mais valia”, só mais um dia,
não é só minha a insensatez
Nosso amor vai pegar a donzela,
botar na panela, fazer clientela,
queimar toda a vela e dar lucidez.
É claro que eu não me engano,
eu também clamo, eu sou humano,
preciso sonhar.
A hora é essa, e a sua pressa
só me confessa a procura por lar.



 
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